CENTRO DE EDUCAÇÃO E MEMÓRIA DO ATHENEU SERGIPENSE

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CENTRO DE EDUCAÇÃO E MEMÓRIA DO ATHENEU SERGIPENSE CEMAS 

Eva Maria Siqueira Alves

João Paulo Gama Oliveira

O evento cultural mais importante da década de 1870 na Província de Sergipe foi a criação do Atheneu Sergipense. Governava Sergipe o Tenente Coronel Francisco José Cardoso Júnior (2 de dezembro de 1869 a 11 de maio de 1871), que movido por pensamentos reformistas, inovou o sistema da instrução pública. Manuel Luiz Azevedo D’Araújo desempenhava o cargo de Inspetor Geral da Instrução, organizando então o ensino público sergipano, elaborando o Regulamento Orgânico da Instrução Pública da Província de Sergipe, assinado em 24 de outubro de 1870. Dois problemas que vinham desafiando os governantes desde a década de 1830 são resolvidos: a centralização das aulas de Humanidades e a criação do Curso Normal.

Mesmo sofrendo modificações significativas de local de instalação, denominação da instituição, tempo e tipos dos cursos oferecidos, quadro de professores, conforme a legislação e o período, o Atheneu Sergipense não se afastou dos seus objetivos: ministrar uma instrução secundária, de caráter literário e científico, necessária e suficiente de modo a proporcionar à mocidade subsídios para prestar os exames de acesso aos cursos superiores, como também no desempenho dos deveres de cidadão.

O Atheneu Sergipense desempenhou papel relevante como agência produtora e irradiadora de práticas e padrões pedagógicos, projetando vultos de destaque no panorama político e social, tornando-se parte significativa da História da Educação do Estado de Sergipe.

De tal modo, o Atheneu Sergipense recebeu em seus espaços agentes administrativos e pedagógicos, que deixaram sinais de um passado educacional com muito a revelar acerca da História da Educação brasileira. Algumas dessas marcas resistiram às ações do tempo e dos homens e atualmente constitui uma significativa massa documental acumulada, organizada e disponibilizada para consulta no Centro de Educação e Memória do Atheneu Sergipense – CEMAS -, criado em agosto de 2005.

O CEMAS tem por principal objetivo preservar os vestígios escritos ou não, o testemunho histórico, além de criar informações necessárias para salvaguardar o patrimônio cultural e manter exposição permanente da memória educacional e social do Atheneu Sergipense.

A historicidade dos documentos arquivados no CEMAS, transporta múltiplos fazeres cotidianos de sujeitos que passaram por aquela “Casa de Educação Literária” e que se imortalizaram nos registros das atas, ofícios, provas, cadernetas, jornais, relatórios, concursos, livros, móveis, fotografias. Pode-se assegurar que o CEMAS é o “coração”, o “núcleo” do Atheneu Sergipense.

Materialmente, cada documento histórico salvaguardado no CEMAS, encontra-se acondicionado em pacotes, com numeração específica, sendo distribuídos de acordo com a série documental em 233 caixas-arquivo, contendo mais de 100.000 páginas em diferente estado de conservação. Seguindo os preceitos da arquivística o acervo tem um único Fundo Arquivístico, denominado Atheneu Sergipense, o qual está subdividido em dez séries (Atas, Atestados Médicos, Boletins, Cadernetas, Correspondências, Exames e Concursos, Imprensa, Livros de Ponto, Livros de Registros, Matrículas e Transferências), e duas subséries (Correspondências Expedidas e Recebidas).

Todo o material já organizado está disposto em Guia de Fontes compreendendo: 2 catálogos do período de 1848 a 1950; 2 catálogos do período de 1950 a 1970; 1 catálogo com as fontes da Arcádia Literária Estudantil  do Atheneu Sergipense, que identifica os documentos dessa agremiação estudantil, subdividido nas séries: Concursos de Poesia, Correspondências, Documentos Oficiais, Ficha dos Sócios, Imprensa, Livros de Atas, Livros de Registros, Livros e Desenhos, Monografias para Concursos da Arcádia, Poesias, Panfletos, Cartazes; e 1 catálogo com fontes iconográficas, que cataloga as fotografias relacionadas ao Atheneu Sergipense e localizadas no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, que revelam professores em excursões, aulas práticas, laboratórios, reuniões. Há também no CEMAS peças de laboratórios, quadros de formaturas e de alunos, fardamentos escolares, móveis, troféus, acervo bibliográfico da Arcádia Literária.

Fato é que, a hodierna organização do acervo histórico do Atheneu Sergipense consente que permaneça no local que os produziu, não mais sendo “desviados” para arquivos pessoais, queimados ou descartados.

Institucionalmente o CEMAS faz parte da Proposta Pedagógica do Atheneu Sergipense e possui Termo de Convênio de Cooperação Técnica firmado entre a Universidade Federal de Sergipe e a Secretaria do Estado da Educação, do Esporte e da Cultura para ações de ensino, pesquisa e extensão.

Convictos estamos que o CEMAS é vital para a preservação e disseminação da memória histórica da instituição sesquicentenária, como também para a história da educação sergipana e brasileira. Aquela “gente” permaneceu em silêncio, abafada pela poeira por muito tempo, ficou calada por anos, estava afônica, precisava dizer de suas ações, de suas atividades pedagógicas, administrativas, políticas, retratando a história do Atheneu Sergipense e de tantos elementos, aspectos a ele relacionados.

Almeja-se, com o exemplo do CEMAS, incentivar outras instituições, públicas ou privadas, a valorizarem sua história preservando os vestígios de seu passado e consequentemente salvaguardando o patrimônio cultural, social e educacional da educação brasileira.

 

Eva Maria Siqueira Alves

Professora Titular aposentada da Universidade Federal de Sergipe. Líder do Grupo de Pesquisa Disciplinas Escolares: História, Ensino, Aprendizagem (DEHEA/CNPq/UFS). Diretora do CEMAS.

E-mail: evasa@uol.com.br.

João Paulo Gama Oliveira

Professor Adjunto do Departamento de Educação (DEDI) da Universidade Federal de Sergipe. Membro dos Grupos de Pesquisa Disciplinas Escolares: História, Ensino e Aprendizagem (DEHEA/CNPq/UFS) e Relicário (DEDI/UFS/CNPq).

E-mail: profjoaopaulogama@gmail.com.

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